Há aqui algo de extremamente errado…
E lá se foi o aspecto de blog decente que estava a tentar dar aqui ao estaminé.
Roy Lichtenstein foi mais um dos nomes importantes da onda pop-art que invadiu o início da década de 60 e este Girl with ball de 1961 a óleo pode ser visto no museu de arte moderna de Nova Iorque. A inspiração para o quadro surgiu através de um anúncio numa edição de domingo do New York Times.
Os quadros de Lichtenstein são quadros objectivos e cujo propósito é desindividualizar emoções e atitudes, fazendo a pintura parecer quase que mecânica como que feito por um desenhador gráfico realizando um trabalho publicitário.
A imagem da pintura que coloquei acima é já é grandita, mas como eu hoje acordei bem disposto e o sol que apanho na tromba durante a tarde me revitaliza e faz passar a tarde a cantar enquanto tenho que conduzir para qualquer lado, aproveitei para meter no scanner o livrito de pop-art que o meu irmão me deu no Natal e deixar aqui o quadro com uma resolução de 2479 por 4213 pixeis e quase 5 megas de espaço para quem quiser ir a uma tipografia e imprimir isto com uma qualidade cinco estrelas e fazer um poster catita para meter no quarto ou na sala. Para isso basta clicar na imagem do quadro em cima que a imagem em tamanho gigante abre numa janela nova, isto se eu não troquei os links todos.
Ah, e porque passei a tarde a ouvir música num dos cd’s carregadinhos de mp3 que levo no auto rádio, acabei por andar a fazer figuras tristes ao volante enquanto berrava em plena auto-estrada o refrão desta Fuck Forever dos Babyshambles de 2005:
Acabei de ver esta imagem e, meus amigos, que monumental tareão…
E o pior é que os números quase que se confirmam com uma rápida visitinha aqui.
Anda a circular por essa net fora um vídeo acerca do asteróide 2007 TU24 anunciando um mini Apocalipse. Normalmente não ligo muito a estas tretas dos que anunciam o Apocalipse semanalmente, mas este vídeo para além de já ter uns quantos milhares de visitas já foi referenciado na Fox News (oh, the irony) e tem sido motivo de discussão em inúmeros fóruns e blogs apetrechados de artistas conhecedores do assunto.
Em primeiro lugar, podem ver aqui o vídeo.
Agora vamos por partes:
Começa por dizer que embora as hipóteses de sermos atingidos sejam pequenas, a verdade é que se sabe pouco sobre o asteróide, mostrando imagens de tabelas de dados em falta do mesmo. Correcto. Esqueceu-se foi referir que isso acontece com a grande maioria dos asteróides recém descobertos e que isso não interfere em nada no facto de já se conhecer com precisão a órbita deste TU24. Gosto particularmente do segundo zoom em que mostra uma tabela onde se pode ler “Precisa de astrometria? Sim.”. Bem, também outros 4 que se podem ver abaixo na imagem precisam e um deles foi descoberto em 2001.. big deal… como se pode ver no primeiro zoom os dados que permitem calcular com 99% de certeza a distância exacta a que o asteróide vai falhar
a Terra até já estão calculados. Os dados de astrometria em falta só permitem fazer pequenos poosíveis ajustes.
Depois mostra uma foto do suposto 2007 TU24 ao lado da Sears Tower de Chicago (em escala), mas esquece-se de referir que afinal a foto não é do TU24 mas sim do Ida, um asteróide cujas imagens são bastante famosas. Depois acho piada ao facto de fazer uma comparação à escala, mas por baixo, na legenda, pode-se ler “tamanho exacto incerto”. Ge-ni-al.
Aos 40 segundos já refere o cometa Holmes como sendo o maior dos corpos que estavam presentes no sistema solar durante uns dias de 2007 e ainda comete a barbaridade de dizer que era cerca de 40% mais massivo que o Sol. Ouch… Jovem, assim é complicado levar-te a sério… só para dar uma ideia geral, o cometa Holmes tem um núcleo de aproximadamente 3,5kms de diâmetro. O Sol tem um diâmetro de 1391980 kms. E não falemos de massas, por favor.
Também gostei da parte seguinte em que mostra um texto que refere que as trovoadas são resultado de descargas de plasma do nosso sol. Achei giro, achei que era capaz de ser uma boa piada para lançar num stand-up para geeks.
A parte que se segue é das minhas favoritas: Comparar o TU24 com outro asteróide o 2007 WD25 que pode vir a colidir com Marte, referindo que este ao passar perto da Terra “recolheu” iões positivos da nossa magnetosfera. Outra vez: ouch. Esqueceu-se foi de referir que o WD25 passou a cerca de 7,5 milhões de kms da Terra, e que por isso era complicado ter recolhido qualquer coisinha que fosse, nem que tivesse sido para levar como recordação.
E por fim acaba com o discurso apocalíptico de que este TU24 pode causar terramotos, inundações, erupções gigantes, um corte de cabelo novo ao Paulo Bento, mais trinta mil desempregados, o fecho de mais três maternidades e a subida das taxas de juro pelo banco central europeu. E a justificação? “Porque aconteceu há exactamente 100 anos atrás em Tunguska.” Muito bem. Palmas. O problema é que o que aconteceu em Tunguska foi que um corpo atingiu efectivamente a atmosfera da Terra criando uma explosão. O TU24 vai passar a cerca de meio milhão de kms de distância, ou seja, qualquer coisa por volta de 1,5 vezes a distância entre a Terra e a Lua. Há portanto aqui uma diferença maior do que a distância que eu era capaz de percorrer em passo de corrida atrás da Scarlett Johansson, e acreditem que eu era menino para correr bastante.
Aliás, se estivessem assim com tanta vontade de lançar o medo à custa de um corpo que passe perto da Terra já o deviam era ter feito antes… afinal de contas o 2008 AF3 passou mais perto aqui do telhado de minha casa a 13 de Janeiro do que passará este cavaleiro do apocalipse, o TU24.
Alguns bons links com referências a esta discussão e aos dados nela envolvidos:
Discussão no fórum do Discovery Channel
Órbita do TU24 em animação à escala, com dados reais.
Órbita do AF23 em animação à escala, com dados reais.
Imagens de uns quantos asteróides
Wallpaper da Scarlett Johansson
E obviamente que o único link que vocês vão consultar é o último. Pelo menos eu faria o mesmo.
0:00 Lewis Jump Bank Shot: Made (16 PTS)
[ORL 102-100]
Não sei o que é mais assustador nesta notícia do expresso online. O facto de saber que há gente que mata, corta e cozinha a namorada, se é saber que há gente em portugal a escrever as notícias em jornais online dizendo algo como o que se pode ver na imagem:

É realizado por José Padilha, tem interpretações em grande de Wagner Moura, Caio Junqueira, André Ramiro e outros(as), tem uma história do caneco, uma quantidade incontavel de “one liners” que se gravam na memória e para também não fugir muito à tradição recente do cinema brasileiro tem uma banda sonora de ouvir e chorar por mais.Vejam o filme quando tiverem oportunidade, e entretanto ficam aqui o trailer e as duas musiquinhas que me ficaram logo coladas à parte de trás da memória.
“Bota no saco.”