Arquivo de August, 2007

O belo sol de Agosto


Acordar às 9 da manhã com um belo trovejar ininterrupto que deixou o meu cão escondido e aninhado num canto da casa e com uma enxurrada de água que formou um belo rio na minha rua.
Ahh, Agosto, belo Agosto.

Já agora, mais uma semaninha, com o início de Setembro e com o ritmo de me levantar a horas de gente decente o blog volta a ter vida.


Arquivo de August, 2007

As imbecilidades.


Existe uma espécie de imbecis que me causa algum asco particular. São eles o tipo de imbecis que ontem durante a tarde entraram numa propriedade privada em Silves para destruir um hectare de milho transgénico de uma plantação legal da qual vivia uma família. E fizeram-no porque segundo eles o milho transgénico produz um pólen tóxico que afectaria as plantações vizinhas e causaria “graves” problemas ambientais. Ok, não vou entrar pelo caminho de pedir um único estudo com peer-review que o prove em vez do simples argumento “se é transgénico tem alterações genéticas, já houve quem falasse diso, faz mal e é obra do demónio”, coisa que até agora ninguém me mostrou. Vou antes perguntar o porquê daquela cambada de imbecis não ter sido presa na hora visto terem entrado em propriedade privada para destruir algo que estava, quer se goste quer não se goste, legal e vistoriada pela Direcção-Geral da Protecção das Culturas.

Porque eu também tenho preocupações ambientais, porque o meu presente e futuro a médio prazo também passa pelas energias renováveis, porque eu já compreendi (tal como parece que grande parte da nossa população parece já estar a compreender também) que pequenos gestos como a separação dos lixos, a poupança energética através da alteração de alguns maus hábitos que fomos todos criando ao longo de muitos anos, o uso de produtos livres de CFCs, a poupança no consumo desenfreado de água que até há pouco tempo nos parecia algo perfeitamente natural, esses sim são os passos que cada um pode tomar na luta pelo ambiente, tal como defendem as agências e entidades ambientalistas responsáveis. Invadir uma propriedade privada, encapuçados e de cara tapada, para ceifar todo um hectare de milho legal (nunca é demais repetir) que era o sustento de uma família inteira é pura e simplesmente estupidez, e mais do que isso: cobardia. Porque nenhum teve o discernimento suficiente para perceber que o mal está em quem legaliza este tipo de plantação (se é que há realmente motivos para a considerar perigosa em algum aspecto).

Mas não me admira muito que este tipo de imbecis seja capaz de tomar atitudes destas. Estamos a falar da mesma espécie de imbecis há 15 anos atrás empunhava os primeiros cartazes anti-globalização enquanto vestia umas Levis e calçava umas all-star. Estamos a falar da mesma espécie de imbecis que se revolta em frente aos professores porque não quer alinhar na marcha da carneirada capitalista mas que quando sai das aulas telefona do seu Nokia de 3ª geração ao colega para combinar uma jogatana na Playstation. Estamos a falar, neste caso concreto, da espécie de imbecis que após ir destruir um campo de milho transgénico se sente realizada e prepara os festejos fumando meia bolota cagadinha no dia anterior.

E isto leva-me a uma concluir aqui algo que já por várias vezes comentei com amigos meus: Se conseguíssemos pegar numa amostra de 100 destes imbecis e a acompanhássemos por uns 10/15 anos – para uma altura em que todos eles já tenham que ter alguma (mesmo que mínima) responsabilidade – desses 100 vamos ter 10 que estão tão “queimadinhos” que nem para caso de estudo servem. E teríamos o prazer de ver os outros 90 a olhar esses mesmos 10/15 anos para trás e a sentir uma tremenda vergonha da figurinha triste que andaram a fazer.

E antes que me acusem de ser extremista e estereotipar o tipo de manifestantes em causa deixo-vos aqui o último parágrafo da notícia do Público:

Bruno Martins, uma das pessoas que assistiu à acção de protesto, considerou ser “errado defender assim uma causa”.

“Isto não é para ser discutido na praça pública. Tem de ser no Ministério da Agricultura e no Governo. É uma acção errada. Nem sabem defender uma causa porque vêm para aqui fumar e com telemóveis“, disse à Lusa.


Arquivo de August, 2007

Blades Almighty


Noites de Agosto, muita preguiça, a namorada de férias a 600kms de distância. São os melhores ingredientes que se podem pedir para preparar umas sessões de cinema “light”. E como estreou agora por cá o Evan Almighty e consegui arranjar o Blades of Glory que pelo que consegui perceber nem sequer está nas salas portuguesas -por isso não me perguntem como é que o arranjei- , ontem e hoje lá me entretive com os filmes.

Sou fã do Steve Carrel, protagonista do Evan Almighty, e sou fã do William Ferrel, protagonista do Blades of Glory, mas estava de pé atrás com os dois filmes. O primeiro é uma sequela apresentada como “a comédia mais cara de sempre de Hollywood” – ninguém me convence que o Rei Escorpião não entra nesta categoria- e não queria ver o segundo com expectativas muito altas porque depois de ver o Talladega Nights fico sempre à espera de uma comédia que realmente me faça rir e isso não é lá muito fácil de conseguir. Sim, sou um esquisito do caraças.

1º – Evan Almighty: ok, safa-se o Carrel, do mal o menos. O argumento é mau (o do primeiro filme tinha piada… deus a querer tirar uns dias de férias é uma ideia original). Aliás, fiquei mesmo com a sensação de que o presusposto do argumento e forma como este desenvolve a partir daí não fazia sequer sentido. O Morgan Freeman é um senhor do cinema mas o papel dele é tão irrelevante que não dá para tentar salvar o que quer que seja. As piadas são muitas vezes forçadas e previsíveis embora se apanhem por lá algumas boas tiradas e o recurso a animais é sempre uma maneira certa de agradar a quem paga o bilhete.
É um daqueles filmes que daqui a 2 ou 3 anos começará a passar semana sim – semana não na Sic ou TVI, e acho que isso diz tudo sobre o filme.

2º – Blades of Glory: Argumento absurdo com o padrão cliché de altos e baixos na história que existem em qualquer comédia manhosa, sequências ainda mais absurdas com a perseguição nas ruas, em patins de gelo com o “crossbow”, as cenas no centro comercial e o útimo minuto de filme a baterem os recordes todos , caracterização ridícula dos personagens, diálogos que não lembram ao diabo. E a melhor parte: é tudo propositado, fartei-me de rir. É uma comédia como deve ser: completamente despretenciosa e apenas com o intuito de fazer rir. Não tem mensagens políticas, sociais, morais… nadinha. É apenas uma história completamente absurda levada ao extremo sem nunca caír naquela piada que nos faz olhar para o lado enquanto se vê e se pensa “que ridículo…”.
Se estão com vontade de rir, não têm paciência para estar a ver um filme que puxe pelo cérebro durante um segundo que seja e arranjarem maneira de ter na mão este Blades of Glory, não pensem duas vezes. É Will Ferrel em grande.


Arquivo de August, 2007

Minesweeper: the movie.


De passagem para vos mostrar aquele que, a ser verdadeiro, seria o filme da década.
I’m here because I’m bored!

Arquivo de August, 2007

FMM 2007 @ Sines


Um belo escaldão na cara (já esfola por todo o lado), um restaurante entre Porto Covo e Sines onde se comiam bons pregos por volta da meia noite e nos entretínhamos a contar baratas e até havia quem as prendesse debaixo do copo de cerveja em cima da mesa, deitar às 5 e acordar às 9 da matina com o sol a bater forte e feio na tenda fazendo com que todos os santos poros do corpo escorressem àgua, a esplanada do Mar de Rock em Porto Covo onde aterramos durante umas boas horas da tarde de sábado, Señor Coconut e os inesquecíveis Gogol Bordello.
Foi bom.

Señor Coconut entrou em palco já bastante tarde, por volta das 3 da manhã, e demorou a conseguir a agarrar o público. Ajudaram o cansaço e a desconfiança perante uma série de artistas de fatinho e gravata a tocar ritmos latinos. Mas com o passar das músicas conseguiu contagiar quem lá estava e não houve quem não desse uns toques de dança. As versões dos Doors, Deep Purple e principalmente as dos Kraftwerk não deixaram estar ninguém quieto. Grandes músicos, todos eles, grandes músicas e ritmos contagiantes. Se o concerto tivesse sido por volta da meia e não depois dos Bordello então teria sido ouro sobre azul e as críticas que se leram nos jornais teriam sido completamente diferentes. E para o Felgueiras o que interessava era ter os cocos na mão (literalmente… espero que alguém tenha tirado fotos disso).

Gogol Bordello… bem, eu ia à espera de um grande concerto… não fazia ideia do que esperava os milhares que se enfiaram como sardinhas em lata dentro do Castelo. Simplesmente inesquecível. Mais de duas horas em que não se conseguiu parar quieto durante um segundo. O fogo de artifício e as labaredas “enÓrmes” (onde é que já ouvi isto?) que nasciam por detrás do palco sincronizadoas com a “Not a crime” logo à segunda música deixaram todos de boca aberta e com a percepção que estavam ali para ver um daqueles concertos que não se apagam da memória.
Foram mais de duas horas (perto de duas horas e meia) com o vocalista -Eugene Hütz- a mostrar que estes meninos têm tudo para se tornar uma banda de referência neste início de século XXI -se é que já não o são-.
A melhor descrição que ouvi veio da Carmen que nos disse “Parecem piratas acabados de sair do barco”.

Enquanto espero que o senhor dos cocos passe as fotos e vídeos para o seu PC, ficam aqui três curtinhas dos Gogol em palco: a música de entrada -Ultimate-, um vídeo da “Not a crime” onde se pode ver o fogo e a multidão que encheu o castelo, e ainda um vídeo “aos saltos” durante a “Harem in Tuscany” que abriu o primeiro encore que terminou com um “loop” de uns bons 10 minutos “a rasgar” com todos os elementos da banda a dar o litro. Eu fiquei com a sensação de que o concerto ia acabar quando um deles tombasse para o lado…

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Bg6ENoGNBbk]

Não devo poder ir a Paredes de Coura rever os Bordello, mas quem tiver oportunidade de ir que não a perca. Este concerto fica-me gravado como um dos melhores a que tive oportunidade de assistir. Está lá em cima, bem coladinho ao de Arcade Fire em PdC 2005.