Arquivo de February, 2007

Pombos telecomandados


Depois de em 2005 terem conduzido com sucesso uma experiência similar com ratos, foi agora a vez de uns quantos chineses terem implantado uns eléctrodos no cérebro de uns pombos e terem feitos os bichos voar controlados por um telecomando.
Não, não estou a brincar. Já é possível e foi mesmo feito na China.
Pensem nas potencialidades que isto tem relativamente a prendas de Natal: Querem melhor prenda para oferecer que um chip que se cola na cabeça de uma pomba e se controla com um telecomando tipo os carros da Nikko, por meia dúzia de tostões, e com uma etiqueta “Made in Taiwan”?

Já se pode colocar uma webcam às costas do pombo e ir espreitar a vizinha do 4º esquerdo sem estrilho! Ou então pode-se comandar um pequeno exército de pombos de ataque munidos de cagadelas até aos dentes (que não têm). O potencial dum brinquedo destes é fenomenal, muito superior ao de outros “brinquedos” como a Playstation3 ou a Wii. Esses são para putos.


Arquivo de February, 2007

Às chinco da tarde!


No último sábado combinei uma jantarada com esta desgraçada, para matar saudades de uns meses sem nos encontrarmos e para eu provar as francesinhas do Fase, junto a Santa Catarina no Porto (e meu deus, que maravilha, quase melhores que as do Teles às 4 da manhã), e depois o plano era passar pelo “O meu Mercedes é maior que o teu” na Ribeira para um concerto dos X-Wife.
O jantar até nem atrasou muito mas depois, enquanto juntamos o resto do pessoal que também ia ao concerto e pegamos nos carros para ir até ao parque do Mercado as horas voaram e chegamos à porta do Mercedes para encontrar aquilo apinhado… estavam naquele preciso momento a meter um aviso na porta: “Concerto extra, amanhã.”
Pronto, estava visto que ainda não era desta que ia ver os X-Wife ao vivo… mas já que estavamos na Ribeira lembrei-me de que não era mal visto passar no Pinguim. Sempre bom ambiente, boas conversas, e já tinha mesmo saudades de lá passar e de cumprimentar o Paulo, o dono que não consegue passar um único segundo quieto e que faz cansar só de o ver atrás do balcão.
Estava cheio, como é normal, mas o andar de baixo nem por isso. Estavam ainda a abrir a porta para uma noite de poesia. Ok, X-Wife… poesia… uma mudança um bocadinho brusca de planos, mas já tanto me fazia.
Lembro-me de alguns dos poemas, de outros nem por isso. Mas um em partícular ficou-me gravado (e à Rita, pelos vistos, também): o pranto por Ignacio Sánchez Mejías de Garcia Lorca.
Não sou adepto de poesia, admito. Gosto de algumas coisas, acho que o “Pauis” de Pessoa foi das coisas mais impressionantes que jamais foram escritas (embora tenha falhado redondamente na tentativa de criação de uma corrente), mas sou muito mais adepto da prosa.
No entanto há poesia que não me deixa indiferente. E quando bem declamada ganha uma força que não é possível de obter pela simples leitura numa folha branca.
E se nem sempre a poesia no sábado foi bem declamada, este pranto foi excelente. A pronúncia talvez tenha sido o ponto mais “estranho” (“às chinco da tarde” não soa lá muito bem), mas que o poema ganhou uma alma com aquela mulher a declamar, isso ganhou.

A CAPTURA E A MORTE

Às cinco horas da tarde.
Eram as cinco em ponto da tarde.
Um menino trouxe o lençol branco
às cinco horas da tarde.
Uma ceira de cal já preparada
às cinco horas da tarde.
Tudo o mais era morte, apenas morte
às cinco horas da tarde.

O vento levou os algodões
às cinco horas da tarde.
E o óxido semeou cristal e níquel
às cinco horas da tarde.
Já lutam a pomba e o leopardo
às cinco horas da tarde.
E uma coxa com um chifre desolado
às cinco horas da tarde.
Começaram os acordes de bordão
às cinco horas da tarde.
Os sinos de arsénico e o fumo
às cinco horas da tarde.
Pelas esquinas grupos de silêncio
às cinco horas da tarde.
E o touro sozinho coração acima!
às cinco horas da tarde.
Quando o suor de neve foi chegando
às cinco horas da tarde,
quando a praça se cobriu de iodo
às cinco horas da tarde,
a morte pôs ovos na ferida
às cinco horas da tarde.
Às cinco horas da tarde.
Às cinco horas em ponto da tarde.

Um ataúde com rodas é a cama
às cinco horas da tarde.
Ossos e flautas soam em seus ouvidos
às cinco horas da tarde.
O touro já mugia por sua fronte
às cinco horas da tarde.
Irisava-se o quarto de agonia
às cinco horas da tarde.
A gangrena já vem lá ao longe
às cinco horas da tarde.
Trompa de lírio pelas verdes virilhas
às cinco horas da tarde.
As feridas queimavam como sóis
às cinco horas da tarde,
e a multidão quebrava as janelas
às cinco horas da tarde.
Ai que terríveis cinco da tarde!
Eram as cinco em todos os relógios!
Eram as cinco em sombra da tarde!


Arquivo de February, 2007

How it ends


Ficou-se pelos Óscares de melhor actor secundário para Alan Arkin e para melhor argumento original (era um crime se não o ganhasse) para Michael Arndt.
Não ganhou para melhor filme. Mas, para mim, foi de longe o melhor de 2006.

Little Miss Sunshine
E outra das coisas fantásticas que este filme nos dá é a sua banda sonora. Desde composições originais para o filme até o recorrer de artistas como Surfjan Stevens ou DeVotchKa, já não me viciava tanto numa banda sonora desde os tempos de um Snatch ou de um Lock Stock and Two Smoking Barrels.
Aqui deixo-vos um clip com excertos do LMS acompanhados pela How it Ends de DeVotchska.
Para quem ainda não viu talvez abra o apetite. Para quem já viu tenho a certeza que este clip deixa um sorriso de orelha a orelha.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=JUWnuCw0UVg]


Arquivo de February, 2007

F1 verde


A Honda surpreendeu hoje muito boa gente ao apresentar o seu monolugar para o próximo mundial de F1. Ao contrário de todas as outras equipas que preenchem a pintura dos seus carros com patrocinadores atrás de patrocinadores, a Honda fica-se por um: A Myearthdream, uma fundação de apoio ambiental que funciona simplesmente com base em donativos feitos a partir do site MyEarthDream.com.

É estranho ver assim um F1, mas é de louvar a iniciativa de tornar mais “verde” o desporto. E a pintura do carro é, no mínimo, original. Vejam pelas fotografias.

Honda1Honda2Honda3

Fotos em tamanho original: 1, 2 e 3

Agora só falta mostrar os uniformes que os mecânicos e pilotos usarão nesta época que começa já daqui a menos de 15 dias.
Eu aposto em algo deste género:


Arquivo de February, 2007

Às vezes pergunto-me


[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=gGXdXcpNsv4]
porque sim…

Arquivo de February, 2007

Pela sua segurança.


Em Phoenix, EUA, está instalado o primeiro scanner capaz de ver através das roupas que cada um de nós usa diariamente… No aeroporto dessa cidade está já instalada a primeira máquina que funciona à base de raios-X capaz de ver “por baixo”.
As primeiras críticas apontaram logo a máquina como sendo demasiado invasiva da privacidade das pessoas, mas o administração do aeroporto garante que a imagem é “desfocada” e o contraste da mesma “alterado” para que certas zonas do corpo não sejam expostas em fotografias de alta definição que o aparelho produz. E é isso que garantem às pessoas que se submetem aos testes. Garantem também que os testes são voluntários… se o passageiro preferir pode ser submetido ao um check-up à moda antiga.
O problema é que, segundo alguns críticos dizem, se se desfoca a imagem e/ou se alteram os contrastes da mesma para tentar proteger a privacidade do utlizador do aeroporto a máquina perde o seu efeito já que pode ao mesmo tempo esconder uma potencial arma escondida nas zonas desfocadas.

O que é certo é que a primeira pessoa a testar foi uma tal de Kelsi Dunbar, de 25 anos, que não se importou nada de ficar literalmente nua aos olhos de quem opera a máquina.

Tudo em nome da segurança…

fonte: abc news

Arquivo de February, 2007

Mai’ nada!


Um homem tem que definir bem as prioridades! Primeiro vem a bola, depois as gajas.

Arquivo de February, 2007

Record, esse pasquim de qualidade.


E já que estou numa de escrever sobre futebol, aqui vai a capa do Record que qualquer um de nós teve possibilidade de comprar durante o dia de hoje:
Ontem o Porto jogou com o Chelsea para os oitavos de final da Champions, mas que raio é que isso interessa quando o Sporting é capaz de comprar um gajo de 19 anos? Mete-se lá em cima uma linha de texto, uma foto do Quaresma no canto, e chega!

O que eu gostava de conhecer pessoalmente os génios que fazem estas pérolas…


Arquivo de February, 2007

O golo de uma vida


Neste post do Comboio Azul fui desafiado a escrever onde e quando marquei o meu golo de sonho pelo meu Porto… hipoteticamente falando, claro, já que nem no F.C.Peias de Cima devo ter lugar nos suplentes…
Pois bem, o meu golo de sonho não seria em pleno estádio do Dragão (ou das Antas), não seria contra o Sporting, Benfica ou contra um qualquer grande da Europa… o meu golo de sonho seria aos 93 minutos de jogo, na última jornada em pleno estádio da Mata Real.

Não tenho nada contra as pessoas de Paços de Ferreira. Não tenho nada contra a cidade de Paços de Ferreira. Estudei lá, tenho lá amigos. Mas sou Freamundense e como tal nutro um asco considerável pelo Futebol Clube de Paços de Ferreira. É daquelas coisas inexplicáveis que vêm desde o tempo dos jogos no velhinho e extinto campo do Carvalhal. Qualquer adepto do Paços deseja derrotas consecutivas ao Freamunde, qualquer Freamundense deseja uma morte lenta e dolorosa ao FCPF. Não tenho qualquer problema em admitir que nos jogos Sporting-Paços ou Benfica-Paços sou Sportinguista/Benfiquista de gema. Berro aos golos do Liedson ou da Amélia Gomes contra os canários como se a minha vida dependesse disso.

E por isso o meu golo de sonho seria qualquer coisa como:

30ª e última jornada do campeonato. FCPF – FCPorto, em plena Mata Real. Já festejamos o campeonato há 3 jornadas atrás com uma vitória fácil em casa e o mister dá folga aos titulares nestes últimos jogos para ver rodar os suplentes e para testar o valor de alguns que não têm lugar certo para a próxima época. Eu ando nesse grupo e mesmo assim não tenho jogado mais que uns minutos nestes últimos jogos.
O Paços está com a corda na garganta, em penúltimo mas com os mesmos pontos do ante-penúltimo. Já que o seu adversário directo na corrida pela salvação está a perder fora por 2-0 a 5 minutos do fim o 0-0 que se vai mantendo é suficiente para que a equipa do Mota fique na primeira. O jogo está penoso de ver, ninguém joga bem, ninguém cria ocasiões de golo. Entrei em campo a pouco mais de 10 minutos dos 90 e, verdade seja dita, das poucas vezes que toquei na bola consegui arruinar meia dúzia de jogadas fáceis… a bola parece que me queima no pé. Mas tenho uma vontade gigante de mandar o Paços para a segunda… os minutos correm e nem perto da área chegamos…

93 minutos. Uma bola bombeada pelo Paulo Ribeiro cai no meio campo onde o João Paulo toca de cabeça para a frente. Vem direitinha aos meus pés. Domino-a bem, não me foge desta vez. Como jogo encostado à direita contava ter o lateral esquerdo (custa-me tanto ver o Antunes, jogador aqui feito no Freamunde a usar aquela camisola amarela…) a marcar-me em cima, mas desta vez deu-me meio metro de espaço e consigo virar-me. Há espaço no meio e faço um pique de corrida com a bola colada ao pé para tentar ganhar ângulo para um remate. Vejo uma camisola amarela a aproximar-se de mim pela esquerda tento parar a bola ali mas não consigo, foge-me ligeiramente de alcance.
Mas não a posso perder. Mal sinto um contacto mínimo caio ao chão a berrar como um perdido. Agarro-me ao pé aos gritos como se tivesse sido calcado por um rolo compressor.
Há um apito. Já conto com um amarelo por simulação vergonhosa (e mal feita), mas não… é falta! É falta! É livre!
O central do Paços tem as mãos na cabeça. O Mota, com o seu chapéu laranja da JCA (empresa de Freamunde, criada por um Freamundense de gema) berra na lateral aos ouvidos do bandeirinha.
Finjo levantar-me a custo. O Vieirinha está a ajeitar a bola mas eu vou ter com ele e aviso: “Esta é minha.”. Eles sabem o quanto eu quero marcar ao Paços e dão-me espaço para marcar o livre. Ainda são uns bons 5 metros até á linha da área, mas porra, eu quero marcar ao Paços e sei que o vou fazer!
Enquanto meia equipa do Paços ainda resmunga com o árbitro eu tiro as medidas à baliza. Preferia que o livre fosse descaído para a esquerda, mas aqui a meio vai ter de servir… uns segundos depois o Peçanha já organiza a barreira dos canários. 5 homens, não dá para procurar ali uma nesga para mandar a bola… tem de ser mesmo por cima.
Há um apito, agora é só comigo. Três passos de balanço, pego na bola onde queria… ligeiramente por baixo e com o peito do pé. Por cima da barreira sei que vai passar, mas só quero que desça o suficiente antes de chegar à baliza.E vejo-a a descer… vai com o arco perfeito. O Peçanha, que está descaído para a direita na baliza só tem tempo de ficar a olhar. A bola é perfeita, é indefensável. O arco que faz enquanto vai no ar é lindo de ver. Ainda toca na barra de raspão mas está lá.
Os Super berram golo.
Os canários têm as mãos na cara e na cabeça.
O Mota está quase a chorar.

Não sei como o festejo, não tenho memórias disso, mas não me interessam. Só me lembro de ver a bola a bater na rede.
O Paços está na segunda.


Arquivo de February, 2007

O bichinho


Isto de escrever num blogue tem dias. Tem dias em que me apetece, tem dias em que não tenho pachorra.
Nas últimas semanas não tenho tido pachorra nem vontade e por isso isto esteve parado.
Aliás, não só não tenho tido pachorra para escrever como não tenho sequer passado tempo a ler. Tirei férias. E porque se é para estar a escrever só por escrever, prefiro estar quieto. Se é só para meter um vídeo qualquer, mais vale colar aqui mails corrente… e como não criei isto para encher espaço preferi estar mesmo quieto. Se tiver que parar de escrever durante umas semanas largas não tenho problema com isso.

Entretanto hoje voltei a visitar os blogues que tenho nos favoritos. E lembrei-me que tinha prometido ao JRP do Comboio Azul que fazia um post em resposta a um post seu a que achei piada.

Por isso, a seguir vou escrever qualquer coisa.